Lula admite mandato ‘menos exitoso’ e diz no CNPE que o mercado ‘quer tudo’
Cobrado por corte de gastos, o presidente reconhece que o mandato fica abaixo do que queria e ataca o sistema financeiro
O presidente Lula admitiu nesta sexta-feira (6) que o mandato termina “menos exitoso do que gostaria”. A confissão veio na 3ª Reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em meio à cobrança de economistas e do mercado por um ajuste nas contas públicas.
Em vez de apresentar corte de gastos, Lula partiu para o ataque contra quem cobra. Disse que o Orçamento entregue pelo governo “não é o que o sistema financeiro quer porque ele quer tudo. É o que a gente pode fazer”.
E mandou um recado: “A única coisa que ele [o mercado] tem que saber é que o pobre não pagará a conta”.
O que Lula disse no CNPE sobre o mandato menos exitoso
O reconhecimento de que o mandato fica abaixo do esperado apareceu no meio de um discurso de defesa da própria gestão. Lula listou o que considera vitórias e desafiou os críticos.
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“Alguém pode falar que esse governo não tem responsabilidade fiscal?”, perguntou. Na sequência, voltou ao argumento da herança: “Nós pegamos esse governo com déficit de 2,8%. E nós estamos entregando o Orçamento agora com superávit”. O presidente não apresentou o tamanho desse superávit.
Lula também afirmou ter “a menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil” e disse que o salário mínimo subiu acima da inflação.
“Nós não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício”, completou.
Dívida para obra e recado ao mercado
No mesmo discurso, Lula defendeu que o país pode se endividar. Comparou a dívida brasileira com a de Estados Unidos, Japão e Itália e disse que o Brasil pode tomar dinheiro para “ativos novos”, como ferrovias, estradas e aeroportos.
“Você pode fazer uma dívida desde que você possa pagar”, afirmou, logo depois de dizer que “ninguém pode gastar mais do que tem”.
A fala contradiz o próprio discurso de seriedade fiscal. Pressionado a cortar despesas, o presidente responde com a defesa de mais endividamento e transforma a cobrança por ajuste em uma disputa entre o “sistema financeiro” e o “pobre”.
A cobrança por corte de gastos
A reação de Lula é ao coro que pede medidas concretas de contenção de despesas. O mercado e economistas cobram do governo um ajuste nas contas públicas. No CNPE, Lula não anunciou nenhuma medida.
Ao admitir que o mandato termina “menos exitoso do que gostaria”, Lula reconhece que o governo fica abaixo do que ele mesmo queria. Ao mesmo tempo, descarta qualquer sacrifício e atribui ao mercado a culpa pela pressão.
A proposta fiscal que deve chegar à mesa do presidente ainda depende da equipe econômica, que ouve opiniões técnicas antes de fechar o texto. Enquanto ela não sai, o recado de Lula ao mercado é que a conta do ajuste, se vier, não tem endereço definido.
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