‘Me senti desrespeitada’: Erika Hilton ataca PSOL, admite trocar de partido e mira SP
Deputada reeleita com quase 1,6 milhão de votos acusa o partido de descumprir acordos, confirma conversas com o PT e diz olhar 'com bons olhos' a Prefeitura em 2028
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) expôs o racha dentro da própria sigla. Em entrevista nesta semana, ela voltou a criticar a direção do PSOL pela divisão do dinheiro de campanha e por acordos que, segundo ela, não foram cumpridos. “Me senti desrespeitada”, disse.
A deputada afirmou que há grande possibilidade de trocar de partido e confirmou que mantém conversas com o PT. Também admitiu, pela primeira vez com clareza, o interesse em disputar a Prefeitura de São Paulo em 2028. “Olha, eu comecei a olhar com bons olhos essa possibilidade”, afirmou.
Erika disse ainda não ter decidido a saída e que pretende conversar com a direção nacional do PSOL antes de bater o martelo.
Erika Hilton cobra o PSOL e admite trocar de partido
As queixas da deputada têm três frentes: a distribuição dos recursos de campanha, o descumprimento de acordos internos e a decisão do PSOL de não formar federação com o PT.
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A briga não é nova. Em junho, no meio da pré-campanha, Erika foi às redes contra a cúpula do partido. Disse estar “simplesmente chocada e decepcionada” e classificou a divisão do fundo eleitoral como “privilégio branco e cis”.
“Sou uma deputada negra e travesti”, escreveu na época. “É um absurdo que a direção partidária feche os olhos.” Também acusou “tentativas de sabotagem” e disse que a política “não se faz escondendo os problemas debaixo do tapete”.
Cinco meses depois, a ferida segue aberta. E agora com a porta do PT escancarada.
A esquerda disputa o mesmo nome
A movimentação expõe a disputa entre os partidos da base de Lula pelo espólio eleitoral de uma das deputadas mais votadas do país. Erika foi reeleita em outubro com quase 1,6 milhão de votos.
Do lado do PSOL, a reação foi de quem tenta segurar a estrela da casa. A presidente nacional do partido, Paula Coradi, acenou com apoio a uma eventual candidatura de Erika à Prefeitura, disse que ela seria uma excelente candidata e que a sigla está aberta ao diálogo.
O aceno vem depois de meses em que a própria deputada acusou a direção de ignorar acordos e tratá-la com desrespeito.
O que vem depois
Não há anúncio oficial de pré-candidatura. A troca de partido também não está fechada: Erika diz que a decisão passa por nova conversa com a direção do PSOL.
Se a mudança se confirmar, o PT ganha um nome de peso para a disputa paulistana de 2028 contra o prefeito Ricardo Nunes (MDB). E o PSOL arrisca ver sair, por briga interna, a deputada que ele mesmo vinha oferecendo para a disputa da capital.
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