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Território Sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Eleições 2026

Janones admite que missões do Exército do Lula eram isca e curtida não virou voto

Deputado que comandou o canal de Lula no WhatsApp diz que as tarefas diárias eram 'só espuma' e que curtir post do presidente não decidiu a eleição

Janones admite que missões do Exército do Lula eram isca e curtida não virou voto
Reprodução/Metrópoles

O deputado federal André Janones, que comandou o canal Exército do Lula no WhatsApp durante a campanha, admitiu que as missões distribuídas todos os dias aos apoiadores do presidente não passavam de chamariz. “As missões eram só espuma, não eram champanhe”, disse em entrevista divulgada nesta sexta-feira (6).

“A missão era a isca”, resumiu Janones. Na mesma conversa, ele jogou água na tese de que o engajamento digital virou urna: “Não acredito que as pessoas curtirem uma publicação na página do Lula virou um voto.”

A declaração vem menos de duas semanas depois do segundo turno e desmonta, pela boca do próprio autor, a ideia de que as curtidas e os compartilhamentos ordenados pelo canal tinham sido decisivos para a vitória de Lula.

Janones: missões do Exército do Lula eram isca

Durante a campanha, o canal disparava tarefas diárias aos seguidores: compartilhar vídeos, publicar fotos com a camisa da seleção fazendo o “L”, produzir memes e turbinar buscas na internet. As ordens chegavam com tom de urgência, e Janones cobrava em público quem não cumpria.

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Agora o deputado diz que o conteúdo das tarefas importava pouco. Segundo ele, o objetivo real era reunir gente, ensinar o funcionamento das redes e criar sentimento de pertencimento entre os militantes. Janones descreveu a sensação que queria provocar em cada integrante: “Eu não estou só, faço parte de um todo, faço parte de um coletivo”.

O deputado contou que pretendia guardar a revelação para um livro que planeja escrever, mas decidiu antecipá-la.

‘Democracia mitigada’ e ordens a milhões

A admissão não é a primeira frase de Janones a expor o método da campanha petista. No domingo (1º), em entrevista ao Fantástico, da Globo, ele foi questionado se era democrático dar uma ordem e ter milhões de pessoas obedecendo. A resposta: “É o que eu chamo de democracia mitigada.”

“Não é a democracia no seu estado pleno, não é a democracia que eu quero pro nosso país”, disse na ocasião. E completou: “Isso aqui é um modelo transitório, necessário pra gente vencer uma eleição”. Segundo ele, o modelo também seria “necessário pra gente poder dar governabilidade ao presidente a partir de agora”.

Ou seja: o mesmo grupo que funcionou como tropa digital obediente, nas palavras do seu comandante, para ganhar a eleição, segue mobilizado para sustentar o governo. E as tarefas que os militantes cumpriram por semanas eram, segundo quem as criou, só a isca.

O que muda para o Exército do Lula

Depois da vitória, Janones já anunciou nova missão ao grupo: levar Lula a 90% de aprovação no quarto mandato. Ele também disse que não vai assumir ministério para ficar livre na Câmara e seguir na linha de frente da defesa do presidente nas redes.

Com a própria admissão de que curtida não vira voto e de que as missões eram espuma, a nova meta chega com a credibilidade do método questionada pelo próprio general digital do PT. E a confissão de que o modelo é uma “democracia mitigada” desenhada para dar governabilidade a Lula deixa a pergunta para os próximos quatro anos: a quem servirá, daqui em diante, um canal com milhões de seguidores que obedecem a ordens diárias de um deputado.

Redação Território
Redação Território

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