Luchsinger acusa campanha de Lula de entregar seus dados ao TSE: ‘Não autorizei’
Amiga de Lulinha e investigada no caso do INSS, a empresária chama de 'patifaria' a entrega feita por Boulos e Camilo Santana e vai acionar advogados
A empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, acusa a campanha de Lula de levar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) documentos dela sem autorização. “Eu não autorizei nada. Não faço parte dessa patifaria, não faço parte desse teatro. Aliás, ninguém me consultou”, disse em vídeo publicado nas redes nesta sexta-feira (23).
Luchsinger é investigada pela Polícia Federal no caso das fraudes no INSS. Segundo ela, os papéis entregues pela campanha estão sob segredo de Justiça. A empresária classificou o episódio como “no mínimo criminoso” e quer saber quem deu a ordem.
O alvo da reação é o malote que a campanha petista entregou ao TSE na noite de quinta-feira (22), levado pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, pelo ministro Guilherme Boulos e pelo senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha. Boulos gravou e publicou a entrega.
O que Luchsinger diz sobre a campanha de Lula e o TSE
No vídeo, a empresária conta que viu Boulos e Camilo Santana divulgando a entrega e que ninguém a procurou antes. “Não autorizei essa gente levar nenhum documento meu que está sob segredo de Justiça no inquérito em que sou investigada”, afirmou. “Isso é criminoso.”
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A pergunta que ela deixa no ar atinge o centro da campanha: se os documentos estão num inquérito sigiloso, como foram parar nas mãos dos coordenadores de Lula? Luchsinger diz que vai descobrir como a campanha obteve os dados dela.
A empresária também sugeriu que a abertura completa do que há nos seus registros bancários e telefônicos ajudaria a esclarecer o caso, e deu a entender que o conteúdo poderia complicar integrantes do governo Lula.
O acordo de sigilos que virou palanque
A entrega faz parte do acordo firmado entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) para abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois candidatos e de pessoas ligadas a eles. O compromisso foi formalizado em petição conjunta ao TSE, com prazo até as 23h59 de quinta-feira.
Lula aceitou as 19 exigências apresentadas pelo adversário. Entre elas, informações sobre visitas e viagens que envolvem justamente Roberta Luchsinger. Foi por causa dessas exigências que o nome dela entrou no pacote.
A campanha petista transformou a entrega em peça de propaganda, com vídeo do ministro no tribunal. Agora a ação é contestada por uma das pessoas cujos dados foram expostos, e que é próxima do filho do presidente.
Não há, até agora, confirmação independente de quais documentos de Luchsinger foram entregues nem de que tenham saído do inquérito sigiloso.
Advogados, STF e PF
Luchsinger se reúne com seus advogados nesta sexta-feira (23) para avaliar medidas no Supremo Tribunal Federal e na Polícia Federal. Se ficar comprovado que material sob segredo de Justiça saiu de um inquérito para o palanque da campanha, o problema deixa de ser eleitoral e passa a ser de quem teve acesso aos autos.
A empresária é investigada no caso do INSS e próxima de Lulinha. A proximidade dela com o filho do presidente foi o motivo de Flávio Bolsonaro incluir seu nome nas exigências do acordo. Agora é ela quem cobra da campanha de Lula o nome de quem mandou levar os documentos ao tribunal.
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