Gol cancela voo de Porto Alegre para Salvador e passageiros gritam ‘queremos votar’
Voo G3 1979 levaria 184 pessoas na véspera do 2º turno; eleitores esperaram horas no Salgado Filho e a companhia alega problema técnico
A Gol cancelou neste sábado (24) o voo G3 1979, que sairia às 10h30 do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, para Salvador. Eram 184 passageiros. Muitos precisavam chegar à Bahia e a outros estados do Nordeste para votar no segundo turno da eleição presidencial, neste domingo (25).
O saguão virou protesto. Diante do balcão da companhia, o grupo gritou “Queremos votar” e “Queremos solução”. Vídeos gravados no aeroporto mostram a multidão cobrando os funcionários e uma passageira questionando a empresa por minutos seguidos.
A espera foi longa. Segundo uma das passageiras, o grupo ficou cerca de seis horas em pé. A manutenção prometida em 45 minutos virou três horas, e depois veio o cancelamento.
Gol cancela voo de Porto Alegre para Salvador e alega falha técnica
Em nota divulgada às 19h10 de sábado, a Gol informou que “a aeronave do voo G3 1979, entre Porto Alegre (POA) e Salvador (SSA), deste sábado (24/10), apresentou problemas técnicos e, por consequência, o voo foi cancelado”.
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A companhia disse que os passageiros “receberam as tratativas e foram reacomodados em outros voos”, com saídas no sábado e no domingo. E encerrou: “A GOL reforça que todas as ações tomadas para esse voo tiveram como foco a Segurança, nosso valor número 1.”
A empresa também afirmou ter prestado assistência com base na Resolução 400 da Anac, que define os direitos do passageiro em atrasos e cancelamentos. Um voo extra foi programado para sair de Porto Alegre por volta de 1h deste domingo e pousar em Salvador perto das 4h, antes da abertura das urnas.
A nota não diz quantos passageiros conseguiriam, de fato, completar as conexões a tempo de votar. Quem seguia para outras capitais do Nordeste dependia de um segundo trecho a partir de Salvador.
Quem pagou a conta
Diandra Santos, de 37 anos, ia para Maceió com conexão em Salvador. Ela gravou a confusão no saguão e, depois das horas de espera, desistiu da Gol: comprou outra passagem, em outra companhia, do próprio bolso.
O caso não ficou isolado. Neste domingo, dia da votação, o mesmo aeroporto teve mais cancelamentos. O voo AD2854, da Azul, para Guarulhos, previsto para 8h35, e o LA3427, da Latam, também para Guarulhos, marcado para 3h30, não saíram. O AD4151, da Azul, para Recife, foi empurrado das 7h para as 10h.
O Ministério de Portos e Aeroportos pediu explicações às companhias sobre cancelamentos que pudessem afetar o direito ao voto. Segundo as empresas, três partidas foram suspensas por “motivos operacionais”, com os passageiros remanejados para outras aeronaves. O ministério não informou quais voos eram nem se todos chegaram a tempo de votar.
O que diz a Anac e o que o passageiro pode fazer
A Anac confirmou o cancelamento do voo da Gol e afirmou não haver anormalidade no fluxo aéreo do país.
Nas redes, circulou a versão de que a Gol teria suspendido todos os voos do Sul para o Nordeste para impedir eleitores de viajar. Não há evidência de cancelamento generalizado nem de motivação eleitoral, e nenhuma autoridade sustentou a acusação.
Quem foi prejudicado deve reclamar primeiro com a própria companhia. Se não houver solução, o caminho é registrar a queixa na plataforma da Anac para passageiros. Pela Resolução 400, a empresa responde por assistência material, reacomodação ou reembolso em caso de cancelamento.
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