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Território Sábado, 7 de novembro de 2026

Economia

Dólar sobe a R$ 5,51 com payroll forte e Lula ainda sem ajuste fiscal

Moeda americana acumula alta de 1,18% na semana. Mercado cobra medidas concretas de corte de gastos, e o governo deixa tudo para depois da viagem de Lula ao exterior

Dólar sobe a R$ 5,51 com payroll forte e Lula ainda sem ajuste fiscal
Reprodução/Agendadopoder

O dólar voltou a subir nesta sexta-feira (6) e fechou a R$ 5,5087, alta de 0,37%. Na semana, a moeda americana acumulou valorização de 1,18% sobre o real. Durante o dia, chegou a bater R$ 5,5316.

O empurrão de fora veio do payroll, o relatório de empregos dos Estados Unidos. A economia americana criou 165 mil vagas em outubro, mais que o dobro das 65 mil esperadas pelos economistas. Aqui dentro, o freio que faltou foi o fiscal: o governo Lula ainda não desenhou o ajuste nas contas públicas que o mercado cobra desde a reeleição do presidente.

Sem medida concreta na mesa, o real seguiu vulnerável. “O mercado ainda aguarda informações sobre ajuste fiscais vindo de Brasília”, resumiu Lucas Xavier, head da mesa de renda variável da AW Capital.

Payroll forte pressiona o dólar e expõe Lula sem ajuste fiscal

O dado americano veio forte em todas as frentes. O setor privado abriu 159 mil vagas, contra 64 mil previstas. O desemprego caiu para 4,1%, abaixo dos 4,2% esperados. Os salários subiram 0,4% no mês e 3,1% em 12 meses, também acima das projeções.

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Emprego aquecido e salário em alta reforçam a aposta de juros altos por mais tempo nos Estados Unidos. Para André Valério, economista-sênior do Inter, a chance de uma nova alta de juros em dezembro é “muito elevada”. Dinheiro mais caro lá fora puxa recursos de países emergentes, e o Brasil entra nessa disputa com a guarda baixa.

A bolsa até reagiu. O Ibovespa subiu 1,39% e fechou aos 168.498,45 pontos, numa recuperação depois de um dia de estresse global ligado às empresas de tecnologia. Na semana, o índice avançou só 0,34%.

Discurso de Lula não convence

A turbulência nos ativos brasileiros começou com a reeleição de Lula. Desde então, o presidente aposta em declarações. Disse que o país tem “seriedade fiscal”, que o “pobre não vai pagar a conta do ajuste” e que seu governo tem “responsabilidade fiscal, mas que também leva em conta a responsabilidade social”. Chegou a afirmar que “a dívida brasileira não é tudo o que parece”.

A reafirmação do compromisso com as metas fiscais ajudou a segurar uma alta maior do dólar. Mas os investidores querem medidas, não frases. O que está no radar é a relação entre dívida e PIB e o resultado primário das contas do governo.

O próprio governo admite que não há pacote pronto. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, Lula pediu aos ministros que afunilem as medidas, que só serão validadas depois da viagem do presidente ao exterior. Até agora, o quarto mandato não tem equipe econômica anunciada nem política fiscal definida.

Para Artur Horta, head de análise da GTF Capital, uma recuperação mais consistente da bolsa depende das decisões fiscais do governo. Enquanto elas não vêm, quem paga a conta é o câmbio.

O que vem agora

Lula deve fazer neste fim de semana um pronunciamento sobre a situação fiscal e as promessas de campanha. Será o primeiro teste do presidente diante de um mercado que já cansou de ouvir compromisso sem número.

Se o discurso vier de novo sem corte de gastos detalhado, a pressão sobre o real tende a continuar. No mercado futuro, o contrato de dólar para dezembro já era negociado a R$ 5,5320 no fim da tarde de sexta.

Redação Território
Redação Território

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