Ir para o conteúdo

Território Segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Mundo

Mascarados atacam polícia com rojões e queimam viatura em festa ilegal em Zurique

Grupo jogou pedras, garrafas e fogos contra policiais na madrugada de 11 de outubro; um agente ficou ferido, cerca de 24 contêineres queimaram e ninguém foi preso

Mascarados atacam polícia com rojões e queimam viatura em festa ilegal em Zurique
Reprodução/Fdp-zh

Mascarados atacaram a polícia com pedras de calçamento, garrafas e rojões disparados contra os agentes ao fim de uma festa ilegal no Hardplatz, em Zurique, na Suíça. Uma viatura foi incendiada. Outras ficaram com perda total. Um policial saiu ferido.

O confronto foi na noite de sábado, 10 de outubro, e avançou pela madrugada de domingo, 11. Manifestantes montaram barricadas e queimaram cerca de duas dúzias de contêineres de lixo. A polícia só retomou o controle por volta das 3h.

Até agora, ninguém foi preso. As imagens da noite voltaram a circular nas redes neste fim de semana.

Como a polícia agiu na festa ilegal em Zurique

A Polícia Municipal de Zurique recebeu o aviso da festa pouco depois das 23h. No início, tolerou o evento. Decidiu encerrar a festa só depois de relatos de carros danificados, fachadas pichadas, bombas estouradas e moradores assediados.

Publicidade

Havia mais de cem pessoas no local, parte delas com o rosto coberto. Segundo a polícia, os agentes ficaram diante de uma multidão “extremamente agressiva e disposta à violência”. Quando pediram que o grupo deixasse a praça, foram recebidos com garrafas e pedras.

Os policiais recuaram. Aí, de acordo com a corporação, outro grupo passou a disparar rojões contra eles “de forma repentina e direcionada”. A polícia respondeu com gás lacrimogêneo, canhão d’água e balas de borracha. Voltou a ser atacada com pedras e fogos.

A corporação suspeita que depósitos de rojões tinham sido montados com antecedência. Isso indicaria que o ataque foi planejado. A hipótese ainda está sob investigação. Além dos veículos da polícia, carros, prédios e uma agência bancária foram depredados. O valor total do prejuízo ainda não foi calculado.

Nenhuma prisão e polícia com vagas cortadas

A ausência de presos virou o centro da polêmica. A polícia alegou que a prioridade era restabelecer a ordem e proteger os agentes. Prender alguém no local exigiria um efetivo maior, que não se mobiliza em minutos.

A diretora de Segurança da cidade, Karin Rykart, do Partido Verde, disse estar chocada e afirmou que os agressores aceitaram conscientemente o risco de ferir gravemente os policiais. Ela contou que pede regularmente mais vagas para a polícia, mas só parte é aprovada. Questionada se o próprio partido apoia esses pedidos, não quis comentar.

O número confirma a queixa. Segundo o FDP, partido liberal de centro-direita, a prefeitura pediu 17 novas vagas de policial para 2026, e o Legislativo municipal, de maioria de esquerda (SP, Verdes e AL), aprovou só nove. Em anos anteriores, cerca de metade foi aprovada. Em dezembro passado, havia cerca de 90 vagas abertas na polícia da cidade.

Direita culpa política de segurança da esquerda

O FDP de Zurique reagiu com uma nota de título direto: “Menos polícia, mais baderna: isso é política de segurança de esquerda”. O partido acusa a maioria de esquerda de deixar a polícia sem gente nas ruas.

Segundo o FDP, a Lista Alternativa (AL) justificou o voto contra novas vagas dizendo que a polícia protege, em primeiro lugar, “a sociedade de classes burguesa”. “Não dá para descrever a política de segurança da esquerda de forma mais clara”, rebateu o partido.

O FDP cobra três medidas: aprovar as 17 vagas pedidas no orçamento de 2027, encontrar e punir quem atirou pedras e rojões, com pena suspensa como exceção para crimes violentos, e dar ferramentas efetivas à promotoria. “A proteção de dados não pode virar proteção do criminoso”, diz a nota.

O que vem agora

A polícia segue tentando identificar os autores dos ataques e apurar se os rojões foram estocados antes da festa. O orçamento de 2027, com o pedido de novas vagas para a polícia, vai a votação no Legislativo municipal em dezembro. Será o primeiro teste da maioria de esquerda depois da noite de violência no Hardplatz.

Redação Território
Redação Território

Publicidade

Usamos cookies para medir a audiência do portal e para exibir publicidade. Enquanto você não responde, a publicidade fica não personalizada. Recusar não fecha nada do site. Detalhes na Política de Privacidade.