Estudantes atacam Ministério da Educação em Tirana e polícia responde com gás
Protesto contra o custo e as condições das universidades virou onda de confrontos na Albânia e pede a renúncia do premiê Edi Rama, que culpa 'mãos estrangeiras'
Estudantes atiraram tijolos e blocos de concreto contra o Ministério da Educação da Albânia, em Tirana, e puseram fogo no prédio. A polícia de choque respondeu com gás lacrimogêneo e canhões d’água. Os confrontos começaram em 12 de outubro e se repetiram por dias seguidos na capital.
Na noite de 13 de outubro, manifestantes invadiram o ministério e acenderam um incêndio dentro do edifício, segundo a polícia. Outros prédios também foram incendiados, entre eles a sede do gabinete do primeiro-ministro. Na manhã seguinte, centenas de estudantes voltaram a apedrejar a fachada, arrancaram grades e bloquearam a rua.
A polícia informou 16 prisões depois da primeira noite de violência. Na quinta-feira, 15 de outubro, foram 160 detidos por suspeita de participação nos ataques.
Por que os estudantes de Tirana atacaram o Ministério da Educação
Os organizadores apontam a piora das condições nas universidades, o custo alto do ensino, a falta de apoio financeiro e a perspectiva ruim de emprego depois da formatura. As reivindicações foram além da sala de aula: os estudantes pedem reforma eleitoral, combate à corrupção no governo e a renúncia de Edi Rama.
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O movimento nasceu de meses de atos, em geral pacíficos, contra um resort de luxo planejado numa área protegida do litoral sul do país, projeto ligado a Jared Kushner, genro do presidente americano Donald Trump. A obra virou símbolo das denúncias de corrupção e falta de transparência que os manifestantes fazem ao governo.
A vice-primeira-ministra Albana Kociu reagiu nas redes: “Protestar é um direito legítimo, mas não pode ser usado como desculpa para a violência”.
Rama culpa ‘mãos estrangeiras’ e se recusa a sair
Rama, que conquistou o quarto mandato no ano passado, rejeitou os pedidos de renúncia. Em vídeo divulgado em 16 de outubro, disse que “este não é um fenômeno estudantil” e atribuiu os protestos a “mãos estrangeiras que não desejam que a Albânia esteja em paz”.
O premiê afirmou ainda que deixar o cargo “seria uma traição aos albaneses” que lhe deram mandato para concluir a negociação de entrada na União Europeia. A meta do governo é aderir ao bloco já em 2028, plano que os escândalos de corrupção vêm complicando.
Protestos chegam ao Parlamento
Em 17 de outubro, a polícia usou balas de borracha pela primeira vez desde o início das manifestações. A crise saiu das ruas e entrou no plenário: em 29 de outubro, deputados do Partido Democrático, maior legenda de oposição, acenderam sinalizadores dentro do Parlamento, em Tirana, em protesto contra o governo de Rama.
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