Prefeitura afasta professora que disse ‘você ia morrer’ ao falar de Flávio Bolsonaro
Gravação de aula em Potirendaba mostra docente associando o senador ao fascismo e dizendo a crianças quem morreria. Município abriu procedimento administrativo.
A Prefeitura de Potirendaba, no interior de São Paulo, afastou uma professora da rede municipal depois que uma câmera registrou a docente dizendo a uma aluna “você ia morrer” durante uma explicação que associou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao fascismo. A prefeita Gi Franzotti (PL) divulgou a gravação na noite de quarta-feira (21/10).
Na aula, a professora falou a crianças de 11 anos sobre um possível cenário político e apontou quais alunos, segundo ela, sobreviveriam. Uma mãe procurou a prefeita depois que a filha voltou para casa chorando, de acordo com relato de Franzotti e nota da administração municipal. A data em que a aula ocorreu não foi divulgada.
O que a professora disse sobre Flávio Bolsonaro
O assunto surgiu quando uma criança perguntou o que era fascismo. A docente respondeu que seria “extrema-direita, que prega Deus, Pátria e Família”. Depois, ao ser questionada sobre a relação com os Bolsonaro, afirmou: “É o que o Flávio Bolsonaro e o Bolsonaro querem fazer”.
Ela prosseguiu com uma hipótese sobre quem viveria nesse cenário. “Ia sobreviver pouca gente”, disse. Ao apontar para uma aluna, afirmou: “Você ia morrer, pois você é parda”. Sobre outro estudante, comentou que ele era “loirinho de olho claro”. Uma criança ainda perguntou se também morreria. A resposta da professora foi: “Claro que iria, você está lá com um pezinho na senzala”.
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As declarações levaram para dentro da sala de aula uma associação política feita pela professora e previsões de morte dirigidas às próprias crianças. O vídeo divulgado pela prefeita mostra parte da conversa captada pela câmera da escola.
Prefeitura afasta professora após fala sobre Flávio Bolsonaro
Gi Franzotti disse que determinou a análise das imagens depois da denúncia da mãe. Em vídeo, a prefeita chamou o episódio de “barbárie” e defendeu câmeras de monitoramento nas escolas para permitir a verificação de relatos como esse.
Em nota, a Prefeitura de Potirendaba informou que instaurou procedimento administrativo para apurar as circunstâncias da aula. O município disse ter encaminhado o caso ao Ministério Público do Trabalho e ao Juízo da Infância e Juventude. A prefeita também afirmou que acionaria o Conselho Tutelar.
A administração declarou que falas discriminatórias e situações que provoquem medo ou sofrimento emocional em estudantes são incompatíveis com o ambiente escolar. A prefeitura afirmou que preservará a identidade das crianças durante a apuração.
O que acontece agora
O procedimento administrativo deverá examinar a conduta da professora e as imagens da sala. A prefeitura não divulgou a identidade da docente nem a data da gravação. Também não informou prazo para concluir a apuração.
O afastamento já foi anunciado pela prefeita. O próximo passo é a análise formal do episódio pela administração municipal e pelos órgãos aos quais o caso foi encaminhado.
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