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Território Segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Mundo

Jovens atacam polícia com garrafas em Roma após greve geral contra custo de vida

Grupo se separa da marcha, ergue barricadas e queima lixo perto do Coliseu; polícia usa canhão d'água e detém oito em Roma

Jovens atacam polícia com garrafas em Roma após greve geral contra custo de vida
Reprodução/Terra

Jovens atiraram garrafas contra a polícia em Roma na sexta-feira (30), no fim de um dia de greve geral na Itália. Oito manifestantes foram detidos na capital depois de tentar várias vezes furar as barreiras policiais.

A paralisação de 24 horas foi convocada pela USB, a União Sindical de Base, um sindicato de base da esquerda. Dezenas de milhares de pessoas, a maioria estudantes e trabalhadores, foram às ruas em Roma, Milão, Turim, Bolonha, Nápoles, Gênova e Trieste. O mote era “Parem tudo”. As bandeiras: custo de vida, salários e o aumento do gasto militar.

A primeira-ministra Giorgia Meloni já tinha deixado claro o tom do governo. “Não há nada de revolucionário em vandalizar e roubar. Vandalismo e roubo não são protesto, são criminalidade”, escreveu nas redes.

O que aconteceu em Roma na greve geral

De dia, a marcha passou perto do Coliseu em clima majoritariamente pacífico. Foi ali que um grupo menor se descolou do ato principal. Montou barricadas, arrancou placas de trânsito e ateou fogo a latas de lixo atravessadas nas ruas. Garrafas voaram contra a tropa de choque.

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À noite, um grupo grande tentou marchar em direção ao Parlamento. A polícia respondeu com canhão d’água e cargas para dispersar a multidão. Houve bombas de fumaça cor-de-rosa.

Por precaução, as autoridades fecharam a Piazza Montecitorio, sede da Câmara, e a Piazza Colonna, ao lado do gabinete de Meloni, e posicionaram policiais de choque nas duas. Parte dos manifestantes disse que pretendia montar barracas e ficar nas ruas durante o fim de semana.

Em Turim, a polícia também usou canhão d’água contra estudantes e militantes de esquerda que avançavam sobre o cordão de proteção da prefeitura. Em Milão, o ato invadiu o anel viário com sinalizadores e objetos incendiados. Em Gênova, cerca de 15 mil portuários, estudantes e outros manifestantes entraram no porto contra o embarque de armas.

Nas ruas, o discurso era contra o orçamento de defesa. “Passaram todos esses anos dizendo que não temos dinheiro para uma educação decente. Não temos dinheiro para a saúde. E aí os ouvimos todo dia se gabando de que vão aumentar o orçamento militar”, disse Luca, estudante de medicina de 20 anos, em Roma.

Meloni endurece contra quem depreda

A greve veio depois de semanas de tensão. Em 17 e 18 de outubro, Milão teve confrontos com a polícia, saques a lojas e depredação. O ministro do Interior, Matteo Piantedosi, alertou na véspera do ato para o risco de grupos violentos infiltrados nas marchas.

O governo Meloni reagiu com um pacote de penas mais duras para quem participa de tumultos. A proposta inclui responsabilizar financeiramente os pais de menores que participem de vandalismo e saques. O governo também anunciou 500 militares do Exército para atuar ao lado da polícia em Milão até o fim do ano.

No mesmo mês, Meloni disse no X ter “grande respeito” por quem protesta de forma pacífica. A linha que ela traça é a da depredação.

O que vem agora

A polícia promete reforçar o controle nos próximos atos e pode fazer detenções preventivas com base no mais recente decreto de segurança do governo. A onda de protestos contra o custo de vida também se espalhou por França, Espanha, Bélgica e Albânia.

Redação Território
Redação Território

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