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Território Segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Mundo

Polícia belga lança gás e canhão d’água contra estudantes em Bruxelas e Liège

Protestos contra cortes na educação e alta das mensalidades terminam com 195 detidos em um só dia, 27 deles menores de idade

Polícia belga lança gás e canhão d'água contra estudantes em Bruxelas e Liège
Reprodução/Trtworld

A polícia da Bélgica usou gás lacrimogêneo e canhão d’água contra estudantes que tomaram as ruas de Bruxelas e Liège. O dia mais duro foi o sábado, 17 de outubro: 195 pessoas acabaram detidas nas duas cidades, segundo balanço divulgado pela polícia belga.

Em Bruxelas foram 150 detidos, sendo 118 em detenção administrativa e 32 em prisão judicial, entre eles 15 menores. Em Liège, 45: 40 administrativas e 5 judiciais, com 12 menores no grupo. Cinco policiais ficaram levemente feridos na capital.

Os jovens protestam contra o pacote de austeridade do governo da Federação Valônia-Bruxelas, que corta o orçamento das escolas e aumenta o minerval, a taxa paga pelos alunos do ensino superior. A onda começou em 1º de outubro e se espalhou pela parte francófona do país.

Como a polícia agiu contra os estudantes em Bruxelas e Liège

Na capital, a polícia contou entre 500 e 600 pessoas na concentração da manhã do dia 17, com jovens, professores e sindicalistas. À tarde, um grupo de cerca de 300 jovens se separou da marcha. Houve canhão d’água e gás lacrimogêneo perto da estação Bruxelas-Sul (Gare du Midi) e da Place de la Bourse, com cargas da tropa sobre a multidão. Mais gás foi lançado na Place de l’Albertine.

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Os manifestantes ergueram barricadas com patinetes elétricos e material de obra. Lixeiras e bicicletas foram queimadas. Três veículos pegaram fogo na Place de la Querelle, e um prédio precisou ser evacuado. A sede da federação de Bruxelas do Partido Socialista (PS), no bairro de Marolles, teve as vidraças quebradas. Estações de metrô como Lemonnier, Bourse e Anneessens fecharam, e linhas de ônibus e bonde foram interrompidas. A calma só voltou ao centro por volta das 20h.

Em Liège, entre 200 e 250 pessoas se reuniram às 10h na estação Guillemins, segundo a polícia. O grupo bloqueou ônibus na Place Saint-Lambert com um sit-in e fechou vias na região do Cadran. Cerca de 50 manifestantes lançaram morteiros contra o Palácio dos Príncipes-Bispos. Um caminhão disparou jatos d’água contra cerca de 30 jovens cercados na Place Saint-Lambert. Os detidos respondem por agressão a policiais, resistência à prisão e incêndio, segundo a polícia de Bruxelas.

Liège já tinha proibido reunião de mais de três pessoas

O confronto do dia 17 não foi o primeiro. Em Liège, a polícia já havia usado gás e canhão d’água em 7 de outubro, depois que um abrigo de ônibus foi incendiado. Na véspera, foram 53 detenções. Naquela quarta, mais de 50. Houve saque a lojas, e a estação Guillemins chegou a ser fechada.

O prefeito Willy Demeyer, do Partido Socialista, reagiu proibindo reuniões de mais de três pessoas em toda a cidade, de 8 a 16 de outubro. “Il en va de la sécurité des Liégeoises et des Liégeois” (está em jogo a segurança dos liegenses), justificou.

Governo fala em violência organizada

O ministro do Interior, Bernard Quintin, do partido liberal MR, condenou os distúrbios. “C’est de la violence pure et simple, organisée et répétée pour déstabiliser notre société”, afirmou. Em português: é violência pura e simples, organizada e repetida para desestabilizar a sociedade. Quintin já havia anunciado reforço policial e prometido levar à Justiça os responsáveis identificados.

O PS, partido do prefeito de Liège e alvo do ataque em Bruxelas, condenou a depredação da sua sede. Disse que o direito de protestar inclui o de contestar, mas que nenhuma divergência justifica dano ou intimidação.

Do lado dos manifestantes, a pauta cresceu para além das mensalidades. Os jovens passaram a denunciar também a repressão policial, sobretudo depois da manifestação de 9 de outubro, e o preço do passe de transporte público. “On veut se faire entendre par les politiciens” (queremos ser ouvidos pelos políticos), disse um estudante em Liège. A polícia avisou que os números de detidos ainda podem mudar.

Redação Território
Redação Território

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